Os Brazilian Depositary Receipts, mais conhecidos pela sigla BDR, são uma excelente opção para o investidor que deseja aplicar seu dinheiro no exterior. Apesar de não serem exatamente uma novidade, o acesso a esse tipo de investimento só virou realidade para o investidor comum no ano de 2020, já que antes eram restritos, em sua vasta maioria, aos investidores qualificados (aqueles que possuem mais de R$1 milhão investidos).
O QUE SÃO?
Os BDRs são recibos de empresas negociadas em bolsas do exterior, ou seja, são ativos lastreados diretamente no desempenho de ações de empresas que são negociadas fora do território brasileiro.
Esses papéis permitem aos investidores da nossa bolsa realizar aplicações em ativos internacionais sem a necessidade de abrir uma conta fora do país e sem precisar recorrer ao câmbio.
Na prática, os BDRs nos permitem investir em empresas como o Google, a Amazon e o Facebook de uma forma muito menos burocrática e sem os custos do envio de moeda ao exterior.
Entre as categorias, existem os BDRs Não Patrocinados e os Patrocinados. Estes últimos ainda se subdividem em níveis I, II e III. Falaremos mais das diferenças entre eles a seguir.
PATROCINADOS E NÃO PATROCINADOS
A grande diferença entre os BDRs patrocinados e não patrocinados diz respeito à forma como eles são trazidos e oferecidos ao mercado brasileiro.
Para serem oferecidos no país, os BDRs precisam ter a figura de uma instituição financeira como intermediadora. É ela quem irá “guardar” os ativos e lançar os recibos no mercado.
Os Patrocinados são chamados assim quando a própria empresa representada por aquele recibo decide realizar o processo de lançar o ativo no Brasil. Ou seja, para que um BDR da Apple seja considerado Patrocinado, a própria Apple é quem deve coordenar a oferta dos recibos em terras brasileiras.
Eles podem ser divididos entre os níveis I, II e III, que mudam um pouco as regras contábeis, mas que pouco interferem na vida do investidor (com a exceção de que os BDR nível I só podem ser comercializados no mercado de balcão, enquanto os de níveis II e III podem ser negociados na bolsa).
Já no caso dos BDRs Não Patrocinados, é a própria instituição financeira quem decide trazer os ativos de determinada empresa negociada no mercado internacional e ofertá-los aqui no mercado brasileiro. A grande maioria dos BDR disponíveis se encaixam nessa categoria.
COMO FUNCIONAM?
Para negociar um BDR, o investidor pode seguir o mesmo caminho que usa para comprar suas ações. Basta buscar pelo ticker do BDR desejado no home broker da corretora e enviar a ordem de compra ou venda.
A grande diferença para as ações tradicionais é que comprar um BDR não torna o investidor um sócio daquela empresa. Pode parecer um pouco confuso, mas ao comprar um BDR, o investidor adquire papéis representativos das ações da empresa que ficam depositados com a instituição financeira custodiante.
Ainda assim, a lógica permanece a mesma: se o valor da ação subir, o valor do BDR irá acompanhar e o investidor verá o aumento do seu patrimônio e vice-versa. Além disso, quando a empresa distribuir dividendos, o investidor também receberá sua parte após a dedução das taxas cobradas pela instituição custodiante.
Outro ponto importante sobre os BDR (e provavelmente o mais atrativo) é que os ativos estão fortemente ligados à variação cambial. Por isso, mesmo que uma empresa esteja apresentando resultados positivos na bolsa estrangeira, o resultado do BDR dependerá de como estiver a taxa cambial entre o Real e o Dólar.
VALE O INVESTIMENTO?
Desde que alinhados com o seu perfil de investidor, os seus objetivos, a sua necessidade de risco e a sua capacidade de risco, os BDRs são ativos que sim, valem a pena.
Os BDRs são a forma mais prática e barata de investir diretamente em empresas estrangeiras aqui no Brasil. Diferentemente de Fundos e ETFs, através dos BDRs podemos escolher exatamente quais empresas desejamos na nossa carteira e receber os seus dividendos.
A sua principal função é trazer maior diversificação ao portfólio do investidor e expor o seu patrimônio ao dólar, além de abrir caminhos para o investidor alocar recursos em setores pouco explorados no Brasil. Tudo isso sem a necessidade de pagar taxas e impostos de transferências internacionais.
Quanto aos ricos, os BDRs são ativos de renda variável e por isso as cotações variam de acordo com o mercado. Os dois principais riscos envolvem o valor de mercado da empresa e o valor do dólar. O preço de um BDR sempre irá oscilar levando em conta essas duas variáveis.
TRIBUTAÇÃO E CUSTOS
Como todo investimento, os BDRs também estão sujeitos à tributação e às taxas de corretagem. Esta última vai depender da sua corretora e o valor varia bastante, podendo até ser isento.
Quanto à tributação, ela ocorre de maneira semelhante às ações, porém sem as isenções de R$20 mil. O investidor deverá recolher a alíquota de 15% sobre qualquer ganho obtido sobre a venda dos BDRs de forma mensal. Nas operações de day trade, esse valor sobe para 20%.
No caso dos BDRs, os dividendos também podem sofrer com as taxações. A alíquota vai depender do país de origem, mas tomando como base os Estados Unidos, esse valor geralmente ficará na casa dos 30%. Além disso, o investidor também terá que declarar e pagar IR sobre os dividendos recebidos acima de 1.903,98, com alíquotas progressivas partindo de 7,50% até 27,50%. Confira na tabela:
Base de Cálculo | Alíquota |
Até R$1.903,98 | – |
De R$1.903,98 até R$2.826,65 | 7,5% |
De R$2.826,65 até R$3.751,05 | 15% |
De R$3.751,05 até R$4.664,68 | 22,5% |
Acima de R$4.664,68 | 27,5% |
Essa tributação acontece porque a Receita Federal considera esses proventos como “rendimentos recebidos de fonte no exterior”, porém, se o país proveniente dos dividendos possuir acordo de bitributação ou reciprocidade com o Brasil, como é o caso dos Estados Unidos, o investidor poderá pedir a compensação deste imposto.
Agora que você já conhece mais sobre os BDRs, ficou com vontade em investir nas gigantes do mundo? Entre em contato com a Vincere Consultoria que vamos te ajudar a encontrar o melhor caminho!